27 February 2008

Caprichos de colores!


Um azul turquesa desmaiava numa laranja luminoso...
Um branco esfumegante saltitava entre os dois...
Um azul mais escuro começava a empurrar os outros...

Cores conjugadas numa harmonia perfeita...
Vestidas a rigor para comemorar mais um final de dia...

Eu deliciava-me ao observar e...
Com os meus olhos desenhava um esboço,
Com os meus olhos pintava um quadro,
Com os meus olhos escrevia um poema...

A cada segundo que passava...
O desenho alterava os seus traços,
A pintura pintava-se de outras cores,
O poema substituía as suas palavras..

Os segundos rapidamente se transformaram em minutos e
Trouxeram o final tão aguardado...

A noite caiu...
E tu chegaste!

24 February 2008

A tempestade tropical...



Estava um céu azul, sentia-se um sol quente e um calor abafado...

A água do mar de um azul turquesa levemente transparente, brilhava como sempre...

Era apenas uma tarde de praia normal, numa ilha perdida nas caraíbas...


Subitamente, o céu começa a ficar carregado de nuvens imensamente escuras...
Levanta-se um vento que anuncia algo mais poderoso...

Presencia-se a alteração instantânea de um céu azul claro para um céu nunca antes visto...era demasiado assustador...
O receio, a incredulidade, a curiosidade instala-se...

Ouve-se uma trovoada estrondosa, começa a pingar... e partir desse momento não há tempo para pensar...

Pegar nas coisas e desatar a correr...foi a acção inevitável de toda a gente..

Seria apenas uma tempestade tropical...Seria outro furacão??

A chuva engrossa, o vento cresce a cada minuto que passa...

Já abrigados da tempestade...surgem as consequências...deixa de haver água...deixa de haver luz...estávamos isolados..

Pela janela, vejo a chuva a cair e as palmeiras a voar ao sabor do vento...

Entre o barulho da tempestade, ouve-se música, e gente a cantar numa língua familiar...como se quisessem esquecer os males da natureza...



Uma hora depois, era como se tivesse acordado de um pesadelo... o sol brilhava intensamente, já não havia chuva, nem vento... era como se nada tivesse acontecido!



Varadero, Cuba - Julho 2005

21 February 2008

Era uma vez um pintas...

Depois daquele post tão sem sal e sem uma única pitada de pimenta, (sim sim, eu tenho noção disso) resolvi vir escrever mais qualquer coisa...

Neste mundo, conhecemos todo o tipo de pessoas mas há umas sobre as quais não podemos deixar de comentar, observar, rir..

Numa formação quase personalizada apenas com 4 pessoas, há um que se destaca por ser tão "pintas", como o Gonçalo diz..lol

E um "pintas" é caracterizado por:

  • Chegar todos os dias à formação 1h depois e quando chega é como não fosse nada com ele -"Ora muito bom dia a todos".

  • Fazer o formador voltar atrás na matéria, enquanto nós ficamos a olhar para o anteontem.

  • Interromper o formador para fazer questões parvas e desnecessárias... muitas vezes chama-se a isso um "chato".

  • Estarmos a almoçar e ele fazer aqueles comentários sobre os seres do sexo oposto :"Ai se eu pudesse!...Ai o que anda por aqui!...Ai uns com tanto e outros com tão pouco!" (sim porque o que interessa o anel no dedo??)

  • Contar a história de que o chefe lhe ligou às 9h30 (hora em que devia estar a chegar à formação, e ele estava praticamente a sair de casa, mas isto com o formador a ouvir).

Foram muitas as vezes que eu e o Gonçalo olhámos um para o outro durante a aula, como quem diz: Isto é possível?? , Existem pessoas assim???, lembro-me também daquela frase que se tornou constante: - "Epá que chato...não se cala!!"

Nunca mais me vou esquecer daquele comentário do Gonçalo: -" Eh pá, eu não quero ser assim como ele, eu também falo muito...mas não quero ficar assim.." lololol
Ao que eu respondi: - "Olha que realmente para lá caminhas, tu tem cuidado!"



E depois há aqueles episódios:

Estamos no coffee break que tem vista para a rua e ele vê que o carro dele está bloqueado por um carro... De repente, desata a bater na janela e a dizer...tirem daí o carro, tirem daí o carro...mas na realidade não estava lá ninguém ao pé do carro e pior...só nós o ouvíamos...(Gonçalo e eu a rirmos às gargalhadas...impossível conter!)

Mas esquecendo o "pintas"..

o episódio do pão:

Estávamos a pagar a conta do restaurante na caixa, cada a um a pagar por si...

Entretanto só fico eu e o Gonçalo e o empregado diz..."Ah falta pagar aqui um pão!"...Nós olhamos um para o outro..."Pão??", "Mas quem comeu pão???" e eu digo..."Foi o Daniel! (o Daniel é o formador)"...e nós a pensar...não vamos pagar este pão..." e eu digo: " paga o teu e vai lá avisar o Daniel...enquanto eu pago o meu"
Ele lá foi...entretanto aparece o Daniel, pede-me desculpa e paga...Eu fiquei a pensar..porque é que ele me pediu desculpa ??

Quando olho para o Gonçalo...ele já se está a rir...e ele conta "Ah, eu não ia dizer ao Daniel que ele tinha de pagar o pão, eu só disse, estão a obrigar a Susana a pagar um pão!" ..lolol...eu não queria acreditar...daí ele pedir-me desculpas...a polémica que um pequeno pão pode gerar...ai o que nós rimos...ahh e o pão custou 35 cêntimos:P

A semana da formação...

Agora que a semana da formação está a acabar, começo a perceber que a boa vida está também a acabar. E são muitas as vantagens que me fariam continuar assim por mais algum tempo:

  • Acordo mais tarde (não é muito mais mas só o facto de ser depois das 7h da manha...).
  • Chego mais cedo a casa (é inacreditável chegar a casa ainda de dia).
  • Gasto menos dinheiro nos almoços e como melhor (2 coisas díficeis de conjugar).
  • Tenho lanches e pequenos almoços de graça (aii aqueles coffee breaks!)
  • Os dias são calmos, passam rápido e sem grandes preocupações.
  • Contacto com pessoas diferentes.
  • Aprendo e pratico conceitos com os quais não tenho oportunidade no dia a dia.
  • E no final de contas até chego a casa mais bem disposta...


E acima de tudo atirei para trás das costas tudo, arejei a minha mente de tudo e de todos:)

Assim, segunda feira lá estarei de volta ao mesmo trabalho de sempre, mas pelo menos mais fresquinha:)

18 February 2008

O dia de caos!

Existe aquela célebre frase que toda a gente já pensou um dia "hoje mais valia ter ficado em casa a dormir", e foi mesmo isso que me aconteceu neste dia belo, maravilhoso, fantástico e todos os outros adjectivos que se puderem lembrar.

Não chovia há semanas, mas claro que no dia em que iria para uma formação planeada há vários meses, a natureza tinha que fazer das suas.

Saí cedinho de casa (por volta das 8h), mas percebi logo que o dia não augurava nada de bom ao ouvir o trânsito na rádio.

Fui pôr gasolina e era água por todos os lados. Ao sair da bomba de gasolina, mudei de direcção para tentar evitar o trânsito e chegar o mais rápido possível à A5...mas não valia a pena tentar evitar o destino...todas as estradas estavam congestionadas...

Lá para as 8.30 consegui entrar na a5...mas apenas entrar, porque fiquei logo ali parada ainda antes das portagens...cenário lindo...os carros não se mexiam...mexia 2 cm de 2 em 2m.

Vi logo que as tão longínquas 9h30 (para qual estava a formação planeada para começar) se tinham tornado repentinamente muito próximas.

E naquela situação, uma pessoa tenta-se desenrascar como pode...começou logo por esquecer a via verde..que era pior do pagar normalmente numa portagem...

Depois de quase uma hora em pára arranca, fiz algo que eu critico e detesto que as pessoas façam, entrei na estação de serviço só para poder avançar uns bons metros na auto estrada (o desespero leva a tudo).

Entretanto, parada na estrada, sem poder fazer nada ia ouvindo pela rádio o caos em que estava lisboa e todas as desgraças que aconteciam, estradas cortadas, cheias , falta de electricidade..eu sei lá...era impressionante...

Passado 2h de ter saido de casa, inacreditavelmente chego ao sitio da formação. E ao chegar lá, não tive meias medidas, pus o carro num lugarzinho que me pareceu mesmo engraçado e catita e lá fui a correr para a formação (até pensei, olha que sortuda que eu fui agora!).

À tarde, quando saí da formação toda contente, porque eram umas belas horas para ir para casa, tenho uma desagradável surpresa ao ver que o carro não estava lá naquele lugarzinho tão "catita"...

Primeiro pensamento: "Eu estou a ver bem??" "O carro não está aqui??"

Segundo pensamento: "Foi roubado??", "Foi rebocado??"

Terceiro pensamento: "Boa Susana! Isto tinha parquímetro e tu não viste!"

Quarto pensamento : "Que faço eu agora??"

Resolvi perguntar a um senhor que estava ali parado : "Olhe, desculpe sabe se costumam rebocar os carros aqui?" -Resposta dele- "Sim, acho que sim...mas olhe a policia é já ali em baixo e quando rebocam levam para ali".

Lá vai a susana tentar descobrir a polícia que era logo ali...cheia de livros e tudo o mais, já me doía os braços...

Chego lá...pergunto aos polícias e eles dizem: "veja lá se o carro está aqui à frente, porque senão estiver, não fomos nós que rebocámos e sim a parque tejo"...eu olho e digo "pois realmente o carro não está aqui". Eles respondem, então olhe vá ali dentro perguntar o número da parques tejo.

Lá entrei eu numa esquadra de polícia (pela primeira vez na minha vida, se bem me lembro), e lá consegui perguntar a alguém. O senhor polícia (lol), diz-me assim...ah pois a parques tejo..não sei bem qual será o número...deixe lá ver nos papéis aqui do meu colega...humm...se calhar é este número aqui...e eu entretanto já tinha visto um papel afixado na parede... e digo...mas não será ali aquele que está afixado?? Sem meias medias entrei por ali a dentro (da cabine do polícia)...lol.. para lhe mostrar o número... e ele...ah se calhar é...tente lá esse...(eu a pensar...tou tramada com esta gente, se eles não sabem, quem é que sabe??). Ainda dentro da cabine, telefonei para a tal parques tejo enquanto o polícia me expulsava da cabine dele (lol).

E pronto lá estava o meu carro, tive que ir buscá-lo a carnaxide, mostrar todos os documentos e mais alguns e pagar os 90€ de multa.

E assim acabou o meu belo dia, sim porque o melhor mesmo era ir para casa e não desafiar mais o destino...

Mas depois de ver as notícias à noite, acho que ainda fui uma sortuda com todas as desgraças que aconteceram...é triste ver como este país não está preparado para qualquer adversidade...

16 February 2008

Meravigliosa creatura!


11 February 2008

Para ti...para mim...para nós!


Naquele momento a lua é a nossa guia...
Naquele momento, as estrelas olham para nós como se nos admirassem
Elas, sentem a nossa vibração única
Elas, brilham tão intensamente como o palpitar dos nossos corações.

Olho-te como se um simples olhar me dissesse tudo...
Olhas-me curioso pelo meu olhar misterioso.

Cheiro-te como se o teu perfume me inundasse a alma de felicidade...
Cheiras-me e absorves totalmente o meu ser no teu...

O tempo pára...
Só nos ouvimos a nós...

Tu não és tu...
Eu não sou eu...

A minha pele é a tua pele...

O mundo é nosso
e nós somos o mundo!

07 February 2008

Heartbeats...

Esta musica ficou conhecida num anúncio de tv (a bravia da sony), mas vale a pena conhecer quem a canta...

José González- "Heartbeats"


02 February 2008

Uma terra encantada pelas memórias!






Ao olhar para o infinito, o pensamento saltou-lhe para outro lugar no tempo e no espaço:

Naquele lugar, com uma paisagem pintada maioriamente em tons de dourado seco, apenas cortada pelos sobreiros característicos ou pelas flores de cores variadas, que cresciam naturalmente sem pedir autorização.

Naquela pequena vila, de casinhas pequenas, branquinhas, características das terras ensolaradas, onde o calor do verão sufocava à tarde e aquecia à noite o convivio das gentes da terra.

Naquela casa, com janelas viradas para uma das igrejas da vila, passava ingenuamente alguns dos momentos mais felizes da sua infância...

Subindo a rua do adro, via ao longe o mais belo dos quadros de um museu. O tom esverdeado dos campos envolvia o imenso azul da barragem, num recorte perfeito. A imagem hipnotizava-a ao ponto de a fazer descer a rua com vontade de ver aquela beleza mais de perto, mas quanto mais se aproximava, mais a imagem se afastava...só havia um local ideal para a contemplar.

Quando estava em casa, ia para o quintal, subia as escadas do sotão de onde podia ver o outro lado da paisagem, ou simplesmente ficar a admirar o pôr do sol...

À noite, as estrelas que brilhavam tão lá no alto, faziam com que os temas de conversa girassem em torno de uma ignorância sábia ou dúvidas pertinentes, de quem não tinha tido oportunidade e sorte de adquirir conhecimentos profundos.
A frase usada para aquele momento era "vamos apanhar fresco", fresco esse que contraditoriamente, era uma brisa levemente quente, mas muito agradável.

As conversas faziam-se ao som dos pequenos barulhos da natureza. Assim, à volta da torre da igreja, viam-se uns vultos esvoaçantes que se tentavam esconder naquela escuridão...segundo diziam, eram corujas, morcegos e quem sabe outros mais...

Subitamente, as imagens desvaneceram-se e tudo voltou à realidade. A realidade de um futuro que irá um dia voltar ao pensamento, como se do presente se tratasse!