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02 February 2008

Uma terra encantada pelas memórias!






Ao olhar para o infinito, o pensamento saltou-lhe para outro lugar no tempo e no espaço:

Naquele lugar, com uma paisagem pintada maioriamente em tons de dourado seco, apenas cortada pelos sobreiros característicos ou pelas flores de cores variadas, que cresciam naturalmente sem pedir autorização.

Naquela pequena vila, de casinhas pequenas, branquinhas, características das terras ensolaradas, onde o calor do verão sufocava à tarde e aquecia à noite o convivio das gentes da terra.

Naquela casa, com janelas viradas para uma das igrejas da vila, passava ingenuamente alguns dos momentos mais felizes da sua infância...

Subindo a rua do adro, via ao longe o mais belo dos quadros de um museu. O tom esverdeado dos campos envolvia o imenso azul da barragem, num recorte perfeito. A imagem hipnotizava-a ao ponto de a fazer descer a rua com vontade de ver aquela beleza mais de perto, mas quanto mais se aproximava, mais a imagem se afastava...só havia um local ideal para a contemplar.

Quando estava em casa, ia para o quintal, subia as escadas do sotão de onde podia ver o outro lado da paisagem, ou simplesmente ficar a admirar o pôr do sol...

À noite, as estrelas que brilhavam tão lá no alto, faziam com que os temas de conversa girassem em torno de uma ignorância sábia ou dúvidas pertinentes, de quem não tinha tido oportunidade e sorte de adquirir conhecimentos profundos.
A frase usada para aquele momento era "vamos apanhar fresco", fresco esse que contraditoriamente, era uma brisa levemente quente, mas muito agradável.

As conversas faziam-se ao som dos pequenos barulhos da natureza. Assim, à volta da torre da igreja, viam-se uns vultos esvoaçantes que se tentavam esconder naquela escuridão...segundo diziam, eram corujas, morcegos e quem sabe outros mais...

Subitamente, as imagens desvaneceram-se e tudo voltou à realidade. A realidade de um futuro que irá um dia voltar ao pensamento, como se do presente se tratasse!